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Histórico



História do Palácio Duque de Caxias

Quem passa hoje na área onde está localizado o Palácio Duque de Caxias não imagina que ali, durante quase dois séculos, se constituiu no mais importante endereço da Força Terrestre Brasileira..

Palco e testemunha de fatos que mudaram o curso da história nacional, o Palácio guarda muitas histórias.

Foi ali que ocorreram a Aclamação de D. João VI como rei de Portugal, o dia do Fico, da Aclamação de D. Pedro I como imperador do Brasil e, posteriormente, sua abdicação, o Juramento Constitucional de D. Pedro II e a Proclamação da República.

Dali foi conduzida a brilhante atuação da Força expedicionária Brasileira na Itália e dele partiram, em 1945, os comandos para a operação que resultou na deposição do Presidente Getúlio Vargas.

Esses são apenas alguns fatos históricos para os quais serviram de cenário os quatro conjuntos arquitetônicos que substituíram o singelo quartel do Campo de Santana, construído em 1811.

Após uma importante reforma iniciada em 1905, novas instalações foram inauguradas em 1910, pelo Ministro Hermes da Fonseca. E no quartel general instalou-se o Estado-Maior do Exército, criado em 1896, e o gabinete do Ministro do Exército.

Mas foi com Getúlio Vargas na Presidência e o General Eurico Gaspar Dutra no Ministério da Guerra que foi aprovado o projeto para a construção de um novo quartel-general.

O projeto do arquiteto Cristiano Stockler das Neves, executado em cerca de quatro anos (1937/41) por uma comissão de Engenheiros Militares especialmente designada, previa a construção de duas grandes alas. A principal, erigida à retaguarda do prédio construído em 1906, voltada para a Praça da República, constante de subsolo, sobrelojas, 10 andares a uma torre central com mais 13 andares. E a outra, ao fundo, com seis andares (atual Ala Marcílio Dias). As duas alas laterais permaneceriam sem alterações.
O novo quartel-general foi inaugurado em 28 de agosto de 1941, ao mesmo tempo em que se abria a avenida Presidente Vargas, constituindo-se um imponente marco de nova era para o Exército após a 2ª Guerra Mundial.

Em termos de área construída, foi o maior edifício público administrativo de seu tempo, com 86 mil metros quadrados de área e 23 andares. Sua construção possibilitou a centralização da Administração do Exército, até então dispersa por vários bairros do Rio de Janeiro.

Em 25 de agosto de 1949, foi inaugurado o Pantheon de Caxias, monumento localizado em frente ao prédio, contendo os restos mortais do Patrono do Exército e de sua esposa.

Em 1971, após cerca de 110 anos como Ministério da Guerra - desde que Caxias para lá transferiu-se em 1861 - o Palácio da Praça da República perdeu essa condição, em consequência da mudança para Brasília.

Naquela época, chegou a ser cogitada a alienação do mais importante endereço do Exército Brasileiro no período de 1814 a 1971. Todavia, venceram o bom senso e o amor à tradição, por tratar-se de valioso patrimônio histórico da Instituição e da Nação.

Em 1974 o prédio do ex-Ministério da Guerra e do Exército recebeu oficialmente a denominação de Palácio Duque de Caxias.
Atualmente, o Palácio Duque de Caxias é ocupado pelo Comando Militar do Leste, pela 1ª Região Militar, pelo Departamento de Ensino e Pesquisa e suas Diretorias e pelo Arquivo Histórico do Exército, entre outros órgãos da administração do Exército.

Como sede do Comando Militar do Leste, o Palácio Duque de Caxias manteve a tradição de ser a sede do Comando-das-Armas do Rio de Janeiro e a ele cabe a nobre tarefa de guardião dos restos mortais do Patrono do Exército, o Duque de Caxias, e de sua esposa, a Duquesa de Caxias.

Em 10 de dezembro de 1998, o Instituto Estadual do Patrimônio Cultural, órgão da Secretaria de Estado de Cultura e Esporte do Estado do Rio de Janeiro, notificou o Comando Militar do Leste que, pela “importância histórica e arquitetônica do conjunto de edificações representativas de uma das vertentes da arquitetura moderna brasileira no período do Estado Novo (...), foi determinado o tombamento provisório do imóvel denominado Palácio Duque de Caxias”. Tombamento que faz jus à grande importância que representa e que envolve o Palácio, em termos históricos, não somente com o Estado Novo, mas com diversos outros momentos da História do Brasil.


Decoração

Para a decoração do prédio foi aberto um concurso entre artistas nacionais. O julgamento dos trabalhos ficou a cargo do Professor Pedro Calmon e dos engenheiros militares membros da Comissão Construtora.

No saguão de entrada, que abrange dois andares, vê-se ao fundo um vitral de 13 metros de altura representando o “Duque de Caxias em Itororó”, de autoria de Alcebíades Miranda Júnior.

Os saguões de todos os outros andares também são de mármore, o mesmo acontecendo com o grande e belo Salão de Honra existente no 10° Andar.

A fachada é toda de granito, nas cores vermelha a preta. E todos os pisos da ala principal são de mármores de Minas Gerais, Paraná a Santa Catarina, combinados com madeira de lei; e as portas, todas elas, de sucupira.
Os bronzes que ornamentam as laterais da torre, localizados na altura dos 3° e 4° pavimentos, de autoria de Hildegardo Leão Veloso, representam a Glória Militar e a Apoteose à Bandeira.