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Jornalistas em áreas de conflito

Publicado: Sábado, 20 de Julho de 2019, 15h15 | Última atualização em Sexta, 26 de Julho de 2019, 23h40

O CCOPAB realizou o “Estágio de Preparação para Jornalistas e Assessores de Imprensa em Áreas de Conflito”

Rio de Janeiro (RJ) - Profissionais de diversos meios de comunicação foram preparados, sob a coordenação do Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil - Centro Sergio Vieira de Mello (CCOPAB), entre os dias 15 e 19 de julho, para cumprir suas funções em ambientes hostis. O “Estágio de Jornalismo e Assessoria de Imprensa em Áreas de Conflito” contou com cerca de 32 alunos, criteriosamente selecionados pelo Centro de Comunicação Social do Exército (CCOMSEX), de diversas empresas de comunicação como: TV Globo, SBT, Record TV, Band, RedeTV!, TV Cultura, Jovem Pan, Rádio Gaúcha, Jornal O Dia, Defesa TV, Agence France-Presse (AFP), O Estado de Mato Grosso do Sul, Correio da Paraíba, dentre outras.

De acordo com o relatório sobre a “Segurança de Jornalistas e o Perigo da Impunidade”, da UNESCO, cerca de 182 jornalistas foram assassinados em todo mundo apenas nos anos de 2016 e 2017. Até outubro de 2018, já era possível registrar a morte de cerca de 80 profissionais. Os dados são alarmantes e impressiona ainda mais quando percebemos a participação do Brasil nas estatísticas. Em 2016, dos 102 jornalistas assassinados 5 estavam no Brasil. Esses dados colocaram o país atrás, apenas, do Afeganistão, México, Iêmen, Iraque, Síria e Guatemala. O relatório também mostra o aumento de mulheres jornalistas mortas no mundo entre 2006 e 2017 e que a maioria das vítimas são jornalistas locais.

É neste cenário que o “Estágio de Preparação para Jornalistas e Assessores de Imprensa em Áreas de Conflito”, oferecido pelo CCOPAB, comandado pelo Coronel Machado, vem ganhando, cada vez mais relevância na preparação desses profissionais que já incluíram coletes e capacetes balísticos no exercício de suas profissões. Ao longo de uma semana profissionais de várias regiões do país e de diversos meios de comunicação assistiram aulas teóricas e participaram de treinamentos intensivos que foram ministrados por militares de diversas guarnições da Vila Militar e do Centro de Instrução Especializada de Bombeiros (CIEB). Durante a jornada os estagiários puderam participar de treinamentos como: progressão em área de alto risco, minas e procedimentos em áreas suspeitas, noções de orientação, negociação, driving skills, efeitos das armas em diferentes superfícies, uso de máscaras contra gases, primeiros socorros e combate a incêndio.

Em sala de aula, o Coronel Guerra, do Centro de Comunicação Social do Exército (CCOMSEX), o Coronel Grandis, do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER), e o Contra-Almirante Lampert, do Centro de Comunicação Social da Marinha (CCSM), discorreram sobre as ferramentas de comunicação social que estão sendo utilizadas pelas Forças Armadas. Marcelo Rech e Betinho Casas Novas trouxeram suas experiências na cobertura jornalística em ambientes hostis e o Tenente Aihara, do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, falou sobre os desafios encontrados em seu trabalho como porta-voz durante a tragédia de Brumadinho.

Temas como Direitos Humanos e Direito Internacional dos Conflitos Armados foram abordados pela Promotora de Justiça Militar, Najla Palma, e pelo Chefe da Comunicação Social do Comando Militar do Leste, Coronel Cinelli. Por fim, o Tenente-coronel Mouezy, do Exército da França, e o Capitão Elissalde, do Exército do Chile, expuseram os procedimentos adotados em países em guerra.

O aluno Carlos Ambioris Fabal Almonte, da Agence France-Presse (AFP), nascido na República Dominicana, país vizinho ao Haiti, contou que após o terremoto de 2010, pegou a sua câmera e foi realizar a cobertura. O dominicano declarou que desaconselha qualquer jornalista, sem nenhum preparo, a tomar essa atitude.

 

Sobre o “Estágio de Preparação para Jornalistas e Assessores de Imprensa em Áreas de Conflito”

O Estágio destina-se a preparação de profissionais dos meios de comunicação para o cumprimento de suas funções em ambientes hostis. Dentre os objetivos propostos, destacam-se:

- Capacitar profissionalmente os concludentes a exercer coberturas jornalísticas em zonas de conflito, com ênfase nos procedimentos de segurança pessoal e relacionamento com as forças militares e demais organizações atuantes no terreno;

- Evidenciar os seguintes atributos da área afetiva: prudência, autoconfiança, coerência, cooperação, meticulosidade e responsabilidade;

- Promover nacional e internacionalmente a divulgação do trabalho das Forças Armadas Nacionais nas Operações de Paz sob a égide da ONU.

 

Texto: Ten Anderson Valim / Fotos: Sd R. Menezes / Informações adicionais: Com Soc CCOPAB

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